Onde guardar as malas no Aeroporto de Lisboa: guia com fotos dos cacifos
Quase toda a gente que procura os cacifos no Aeroporto de Lisboa segue primeiro na direção errada. Sai do avião, recolhe a bagagem, entra na sala de chegadas e começa a percorrer as paredes com o olhar à procura de um balcão de depósito. Não está lá. Não há balcão de depósito de bagagem nas chegadas, e já não havia antes da pandemia.
Os cacifos existem, são 234, e são genuinamente bons naquilo que fazem. Mas ficam fora do edifício, um piso acima, no piso das partidas, encostados à faixa onde os carros param para deixar passageiros. Nada na sala de chegadas lho diz. Ou sabe, ou não encontra.
Este guia é esse percurso, fotografado no próprio dia, pela ordem em que o vai fazer. Tem os preços atuais, os tamanhos, as regras que apanham as pessoas desprevenidas e uma avaliação honesta de quando os cacifos são a resposta certa e quando não são.
A versão curta
Se está agora nas chegadas com uma mala em cada mão, é isto:
- Onde: no exterior do Terminal 1, no piso das partidas, ao lado da faixa Kiss & Fly. Antes da segurança, por isso não precisa de cartão de embarque.
- Como lá chegar: sair das chegadas, subir um piso, sair pelas portas das partidas, virar à direita.
- Quando: 24 horas por dia, todos os dias.
- Quanto: desde 3,60 € por três horas (pequeno) até 67,20 € por 72 horas (XL ou surf).
- Máximo: 72 horas. E é para levar a sério.
- Pagamento: cartão ou dinheiro, no terminal de cada módulo.
- Seguro: não. E isso importa mais do que o preço, como se verá.
O percurso todo demora uns cinco minutos, se souber para onde vai. É disso que trata o resto do artigo.
De onde está a partir
Todos os voos para Lisboa aterram no Terminal 1. Isto surpreende quem chegou de Ryanair ou Wizz Air e espera regressar pelo Terminal 2, mas o T2 é só partidas. Seja qual for a companhia que o trouxe, está no mesmo edifício, e este guia aplica-se.
Se despachou bagagem
Siga as indicações para a recolha de bagagem depois do controlo de passaportes e confirme o número do tapete nos ecrãs. Numa manhã cheia, a espera aqui pode chegar aos vinte minutos, o que convém contar se tem um plano apertado entre cacifos e cidade.
Com bagagem de mão apenas, siga em frente. Chega aos cacifos antes de os seus companheiros de voo verem sequer a mala.
Passo 1: sair da sala de chegadas
Depois da alfândega, a sala de chegadas abre-se. Há motoristas e acompanhantes atrás da barreira, um café à esquerda, balcões de aluguer de viaturas ao lado. É aqui que as pessoas param e começam a olhar à volta à procura de um balcão de bagagem, e é aqui que se perdem os dez minutos. Não procure. Continue a andar.
Uma nota sobre esta sala: é também aqui que o encontramos, se tiver reservado uma recolha. Mesma barreira, mesmo sítio.
Passo 2: siga as placas de saída e cacifos
Duas palavras portuguesas levam-no até lá, e nenhuma é difícil.
Saída quer dizer exit. Cacifos quer dizer lockers. As placas suspensas têm as duas, com o inglês por baixo, e assim que fixar a palavra cacifos pode deixar de pensar e limitar-se a segui-la.
É a coisa mais útil deste artigo. A sinalética é boa, mas só se souber que palavra procurar. A maioria dos viajantes procura o inglês "lockers", que lá está, mas mais pequeno e em segundo lugar.
Passo 3: subir ao piso das partidas
É aqui que quase toda a gente se engana. As chegadas e as partidas estão em pisos diferentes no Terminal 1, e os cacifos ficam em cima, com as partidas. Se ficar no piso das chegadas, nunca os vai encontrar, por muito bem que siga as placas.
Suba um piso pelas escadas rolantes ou pelo elevador. A partir da sala de chegadas, ficam ao lado e não em frente.
Uma referência útil: se chegou de metro, entra no aeroporto ao nível das chegadas, e são estas as mesmas escadas que usaria para chegar às partidas. Quem lhe der indicações a partir da estação de metro está a descrever esta mesma subida.
Passo 4: sair do terminal
Os cacifos estão no exterior. Não num canto da sala das partidas, não depois de um controlo de segurança, mas do lado de fora das portas principais das partidas, ao ar livre, debaixo da cobertura.
Vale a pena dizer duas vezes, porque parece errado. Acabou de passar vinte minutos a entrar num edifício e agora está a sair dele. Mas é mesmo ali que estão, e é por isso que estão abertos 24 horas e que não precisa de cartão de embarque para os usar.
Passo 5: encontrar a faixa Kiss & Fly
Já no exterior, está na zona Kiss & Fly: a faixa de curta duração onde carros, táxis e motoristas de TVDE param para deixar passageiros. É coberta, é movimentada, e os módulos de cacifos estão alinhados ao longo dela.
Acontecem aqui duas coisas ao mesmo tempo, o que é útil saber. É daqui que a Uber e a Bolt recolhem, e é daqui que sai o shuttle gratuito para o Terminal 2. Se o seu plano é guardar as malas, ver a cidade, voltar e partir do T2, tudo isso acontece em trinta metros à volta deste ponto.
Passo 6: os cacifos
São 234 cacifos em 10 módulos, cada módulo numerado e com o seu terminal de pagamento. São verde-água, é impossível não os ver assim que sair, e são exatamente como na foto abaixo.
Não é possível reservar. Não há site, não há reserva por aplicação, não há forma de garantir um. Chega e leva o que estiver livre. Numa tarde de verão, ou quando aterram vários voos low-cost seguidos, pode ter de tentar dois ou três módulos até encontrar o tamanho que quer. É a maior fragilidade prática do sistema, e convém saber antes de construir um dia à volta disso.
Quanto tempo demora o percurso?
Cerca de cinco minutos desde a sala de chegadas, se souber o caminho, e já com mala. Some dez a vinte minutos se andar à procura, que é o que costuma acontecer.
Vale a pena fazer a conta com honestidade se está de escala: quinze minutos para sair do avião e recolher a bagagem, cinco até aos cacifos, cinco no terminal de pagamento, depois vinte e cinco de metro até ao centro. Da aterragem até estar de pé na Baixa é, realisticamente, uma hora. Na volta, o mesmo ao contrário, e ainda quer estar na porta de embarque duas horas antes de um voo europeu. Numa escala de seis horas sobram-lhe cerca de duas horas e meia de Lisboa a sério. Dá para fazer e vale a pena, mas faça a conta antes de se comprometer.
Como alugar um
É automático e demora uns minutos:
- Escolha o tamanho no terminal. O ecrã tem inglês.
- Pague o mínimo de três horas. Cartão ou dinheiro. Não há opção mais curta, por isso mesmo um depósito de quarenta minutos custa as três horas completas.
- Escolha um código de 4 dígitos e confirme. É a sua única chave.
- Coloque a mala, feche a porta e confirme que trancou mesmo.
Para levantar, introduz o código e a porta abre.
A parte que surpreende: se ficar mais de três horas, o cacifo não abre enquanto não pagar a diferença. Acerta contas no levantamento e não à partida. Ou seja, não pode pagar a menos e desaparecer, mas também não tem de adivinhar a hora de regresso quando deixa a mala. Isso está genuinamente bem pensado.
Há também um código QR no módulo, se preferir fazer tudo pelo telemóvel.
Preços
Tudo começa num mínimo de três horas. A partir daí, paga o valor adicional abaixo quando vier buscar a mala.
As primeiras 3 horas
| Tamanho | Preço | Dimensões |
|---|---|---|
| Pequeno | 3,60 € | 36 × 48 × 88 cm |
| Médio | 6,00 € | 36 × 65 × 88 cm |
| Grande | 9,60 € | 36 × 99 × 88 cm |
| XL | 14,40 € | 72 × 99 × 88 cm |
| Surf | 14,40 € | 36 × 200 × 88 cm |
Mais de 3 horas
| Tamanho | Até 24h | Até 48h | Até 72h |
|---|---|---|---|
| Pequeno | 8,40 € | 14,40 € | 43,20 € |
| Médio | 10,80 € | 19,20 € | 45,60 € |
| Grande | 16,80 € | 31,20 € | 57,60 € |
| XL | 24,00 € | 40,80 € | 67,20 € |
| Surf | 24,00 € | 40,80 € | 67,20 € |
Os preços incluem IVA e são pagos no levantamento. Fonte: ANA Aeroportos de Portugal, verificado a 15 de julho de 2026.
Um aviso sobre preços em geral. Vários dos guias que aparecem nesta pesquisa continuam a citar a tabela antiga, cerca de 20% mais baixa. Se um site lhe disser que um cacifo pequeno são 7,00 € por 24 horas, está desatualizado. A placa no módulo é a lista definitiva, e se discordar de nós, acredite na placa.
Que tamanho precisa mesmo?
As dimensões dizem mais do que os nomes:
- Pequeno (36 × 48 × 88) leva uma mochila ou uma mala de cabine em pé.
- Médio (36 × 65 × 88) leva uma mala de porão média.
- Grande (36 × 99 × 88) leva uma mala de viagem completa.
- XL (72 × 99 × 88) tem o dobro da largura e leva duas malas grandes.
- Surf (36 × 200 × 88) é para pranchas, esquis e sacos de golfe.
Os 88 cm de profundidade são a constante, e é essa que apanha quem tem malas invulgarmente fundas. Se viajam a dois com duas malas grandes, um XL a 24,00 € pelo dia fica mais barato do que dois Grandes a 33,60 €.
E se estiverem todos ocupados?
Acontece, sobretudo nas tardes de verão e quando aterra um conjunto de voos low-cost ao mesmo tempo. Não há forma de verificar antes nem de reservar, por isso só descobre quando chega aos módulos.
As alternativas, por ordem de sensatez. Tente outro tamanho: os cacifos Surf e XL costumam estar livres mesmo quando os Médios acabaram, e um XL a 14,40 € por três horas é irritante mas não é uma tragédia. Vá de metro duas estações até ao Oriente, que tem cacifos na estação, embora agora esteja a levar as malas no metro, que era precisamente o que queria evitar. Ou use uma loja de depósito no Chiado ou na Baixa, o que é o mesmo problema mais uma caminhada na calçada.
Todas as alternativas passam por arrastar malas para algum lado. É esse o problema estrutural do depósito: a mala tem de ir fisicamente até onde está o depósito, e o senhor tem de ir com ela.
As regras que apanham as pessoas
72 horas é um teto rígido
Não é uma sugestão. Passadas as 72 horas o aeroporto considera uso indevido, remove o conteúdo, guarda-o à parte e cobra 25,20 € por dia em cima das 72 horas que já deve. Se a sua viagem é de quatro dias, estes cacifos não são a solução.
A sua mala não está segura
Este é o parágrafo mais importante do artigo, e não é opinião nossa. Está no regulamento publicado pela ANA: deixar bagagem num cacifo não constitui um contrato de depósito, e a ANA não assume responsabilidade por furto, roubo, perda ou dano.
Leia outra vez. O operador declarou, por escrito, que se a sua mala desaparecer do cacifo, o problema é seu. Os módulos estão numa zona pública vigiada e os problemas são raros, mas não há cobertura. Se vai guardar um portátil, uma máquina fotográfica ou seja o que for que lhe custaria perder, convém saber isto antes de fechar a porta.
Detalhes do pagamento
Os cartões funcionam. Se pagar em dinheiro, as máquinas aceitam moedas de 2 €, 1 € e 0,50 € e notas de 5 €, 10 € e 20 €. Não apareça com uma nota de 50.
Não pode reservar
Chega e espera que haja. É esse o sistema todo.
Então, os cacifos prestam?
Sim, para uma situação específica, e nessa são excelentes: algumas horas entre voos, quando vai regressar ao aeroporto de qualquer maneira. Escala longa, vontade de ver a cidade, voo de saída à noite. Três horas num cacifo pequeno por 3,60 € é uma relação qualidade-preço soberba e não há nada que chegue perto. Metro para o centro, Alfama, voltar, levantar, voar. Perfeito.
Funcionam bastante pior na situação em que a maioria está. Aterra às 9h. O check-in é às 15h. Tem seis horas para gastar e uma mala. O cacifo resolve as seis horas mas cria um problema novo: a mala está agora no aeroporto, e o senhor não, e a certa altura tem de voltar lá. Paga duas vezes em tempo, uma para guardar e outra para ir buscar, mais o bilhete de metro em cada sentido e os vinte minutos de cada lado.
A conta merece ser feita com honestidade. Duas malas grandes por um dia são 33,60 €, mais a ida e volta ao aeroporto, mais a hora que isso come à sua tarde. Contra isso, uma entrega que custa um valor comparável e acaba com as malas no seu hotel não é propriamente um luxo. É o mesmo dinheiro aplicado num resultado melhor.
E se a estadia passar das 72 horas, ou se a mala levar alguma coisa de valor, os cacifos deixam de ser uma opção em vez de serem só um incómodo.
Uma regra de decisão rápida
Use os cacifos se vai regressar ao aeroporto, se a estadia é inferior a 72 horas, se a mala não leva nada precioso e se aceita jogar na sorte da disponibilidade.
Use uma entrega se a mala tem de acabar noutro sítio que não o aeroporto, se passa das 72 horas, se quer seguro, ou se simplesmente não quer a ida e volta. Os cacifos são um produto de depósito. A entrega é um produto de logística. Parecem concorrentes mas respondem a perguntas diferentes, e a pergunta que está a fazer é normalmente "como sigo com o meu dia" e não "onde ponho isto".
Perguntas frequentes
Há cacifos no Terminal 2?
Não. Os 234 estão todos no Terminal 1, no exterior das partidas. O T2 não tem cacifos nem metro. Se parte do T2, guarde no T1 e apanhe o shuttle gratuito.
Estão abertos de noite?
Sim, 24 horas. Ficam no exterior do edifício e antes da segurança, por isso não há nada para fechar.
Posso ir lá sem ter voo?
Pode. Ficam do lado público, em zona aberta. Qualquer pessoa lá chega.
A minha mala cabe?
Uma mala de viagem normal cabe no Grande (36 × 99 × 88 cm). Duas cabem no XL (72 × 99 × 88 cm). As pranchas vão no cacifo Surf, de 200 cm.
Posso guardar uma mala uma semana?
Não. Máximo de 72 horas, findas as quais o conteúdo é removido e passam a aplicar-se taxas diárias. Para mais tempo, use um depósito na cidade ou uma entrega.
E se o meu voo atrasar e passar das 72 horas?
A regra das 72 horas não quer saber do motivo. Planeie para o teto e não para as suas intenções.
Preciso de dinheiro?
Não, os cartões funcionam bem. Dinheiro também é aceite, em moedas e notas pequenas.
Ainda existe balcão de depósito nas chegadas?
Não. Existiu, e muitos artigos antigos ainda o descrevem. Fechou. Os cacifos substituíram-no, e mudaram-se para cima e para o exterior.